Novo lar, nova cidade, novo trabalho. Como diz o título, esse tempo tem sido de mudança para mim. É um período onde refletimos ou, no mínimo, sentimos sensações diferentes. Nesses dias de grande transformação na minha vida (e que também me impediram de ter tempo de escrever no blog) fiquei muito pensativo em relação ao que o livro escrito pelo profeta Ageu me ensinou. Aos olhos humanos, estou partindo para tempos melhores: tempos de crescimento profissional e de preparo para em breve formar uma família. Deve ser o que todos sonham, não é? Mas fiquei pensando “até que ponto esse também é o sonho de Deus?” Glória a Deus que a Bíblia continua sendo um livro atual e tem sempre alguma palavra pra me amparar. Dessa vez a palavra que vem latejando na minha cabeça é a seguinte:
“Acaso é tempo de vocês morarem em casas de fino acabamento, enquanto a minha casa continua destruída? Agora, assim diz o Senhor dos Exércitos: “Vejam aonde seus caminhos os levaram. Vocês têm plantado muito, e colhido pouco. Vocês comem, mas não se fartam. Bebem, mas não se satisfazem. Vestem-se, mas não se aquecem. Aquele que recebe salário, recebe-o para colocá-lo numa bolsa furada”.” (Ageu 1:4-6)
Incrível essa palavra. Desafia a refletir sobre as prioridades na minha vida. Prosperidade financeira é vã se não estiver nos planos do Senhor. É como se Deus se indagasse no versículo quatro “tudo bem, você conseguiu construir um fabuloso lar, mas pra mim não sobrou nem um barraquinho!” Aliás, é preciso lembrar que nós somos a “casa do Senhor” após o véu ter sido rasgado. Passamos a ser a morada do Espírito Santo: “o Altíssimo não habita em casas feitas por homens” (Atos 7:48); “vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual” (1Pedro 2:5), “vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?…” (1Coríntios 3:16-17) ou ainda 1Coríntions 6:19 e Hebreus 3:6a. Encarar a mim mesmo como casa de Deus torna Ageu ainda mais profundo “de que adianta vocês morarem em casas de fino acabamento enquanto a vida interior de vocês está destruída e meu Espírito Santo não recebe nenhuma condição para morar em você?”
E a que caminhos sou levado quando eu, como lar do Espírito Santo, estou com uma vida destruída pelas prioridades erradas? A passagem continua explicando de várias formas diferentes que, mesmo tendo tudo, poderia não ter nada. É como receber o salário numa bolsa furada, porque dinheiro nenhum pode comprar uma vida em que o Espírito Santo possa se alegrar em fazer morada.
Fica ainda o desafio da palavra “vejam aonde seus caminhos os levaram”. Primeiro, Deus me instiga a abrir os olhos e ver a minha condição. Não adianta eu ficar lamentando por tudo e permanecer com os olhos fechados para a verdade sobre o caminho que eu tenho vivido. Segundo, não é o bastante ver aonde os caminhos me levaram, preciso também reconhecer que esses caminhos não são de Deus e nem dos outros, são meus. Não adianta procurar ninguém pra transferir a culpa. O que o Pai espera é humildade de minha parte em reconhecer que qualquer caminho errado que eu tenha tomado foi escolha minha. Creio que uma vida quebrantada que busca não os próprios caminhos, mas tão somente os de Deus, essa vida sim agrada ao Espírito Santo, onde Ele teria grande prazer em fazer morada. Espero também não me esquecer que assim como uma casa é construída, assim uma vida cheia do Espírito Santo também não acontece com um passe de mágica: é uma construção, uma caminhada diária na busca de uma vida santificada para que o Espírito Santa diga de mim mesmo “lar, doce lar!”
(espero em breve poder postar uma continuação)